Minha avó paterna tinha sempre um chocolate na bolsa quando nos encontrávamos. Ela não tinha beijos e abraços pra me dar. Me dava um chocolate.
Uma vez por ano, me dava um envelope com dólares que iam direto para a mão dos meus pais: compre um presente pra você.
Ao contrário da minha avó materna, que sabia exatamente meu gosto, brincava comigo e me enchia de amor, da minha avó paterna era chocolate e um envelope.
Levei 46 anos da minha vida pra entender que não se pode dar o que não se tem. Sua vida foi de luta e sofrimento. Muito cedo, ela provavelmente não teve carinho e amor da mãe, uma mulher viúva que trabalhava para sustentar os cinco filhos. Ela tinha fome e, ao invés de brincar, trabalhava para assegurar a ração diária.
Hoje entendo que minha avó paterna me dava muito mais do que tinha. Ela sempre tinha um chocolate na bolsa.


