Houston, temos um problema no golfo de Ormuz
Entre o fascínio pelo espaço e a urgência do agora
O ano era 1993 (por favor, não façam a conta da minha idade nesse momento) e eu fui, só com a minha irmã mais nova, para os Estados Unidos pela primeira vez. Entre os parques da Disney, a excursão da viagem contemplava uma visita a… NASA!!!
Naquela época eu não sabia que a sede da NASA era em Houston e o que eu estava visitando, na verdade, era uma uma base de lançamento de foguetes na Flórida. Então, super achei que tinha ido à NASA. Mas, na verdade, além do campo de lançamento, há um museu, chamado Kennedy Space Center (do qual eu tenho uma vaga recordação) e foi isso que eu, de fato, visitei.
O que eu lembro dessa visita? O sorvete do futuro!! Eram micro bolinhas super congeladas em um copo e eu não sei que truque (ou fenômeno da física/ química) acontecia que o tornava futurístico. Em tempos de inteligência artificial, consegui “lembrar” do sorvete. Chamado de Dippin’Dots Napolitano, eram esferas minúsculas, do tamanho de miçangas ou pequenas pérolas de sagu. No sabor que eu escolhi vinham três cores: o rosa (cor de iogurte de morango), o branco era um off-white cremoso (baunilha) e o marrom era um tom de chocolate ao leite suave.
Elas vinham todas misturadas no copo, criando um visual de “confete de tons pastéis”. Se você pegasse uma bolinha com a mão, ela parecia uma pedrinha de gelo seca e dura. Mas, quando colocado na boca, as bolinhas estavam tão geladas (armazenadas a cerca de -40°C) que elas grudavam levemente na língua e no céu da boca por um segundo.
Pulamos mais de 30 anos para frente (droga, entreguei um pouco mais da idade) e me pego admirada, na frente da TV, numa sexta à noite, vendo o retorno dos astronautas da Artemis II voltarem à Terra. Não conseguia desgrudar os olhos. E eu sou daquelas que acredita piamente que o homem já foi à Lua e que todas as demais viagens ao espaço são verdadeiras.
Então, por que essa me causou tamanho impacto? Bem, claro que a cobertura da mídia ajudou. Mas a mídia também causou um frisson com a viagem da Katy Perry pela Blue Origin, no ano passado e isso não me encantou. Obviamente, começando pela motivação comercial que a viagem de 2025 teve, que contrasta bastante com a base científica da atual.
Talvez, o voo de 2025, sendo “apenas”um voo suborbital de 11 minutos, não seja mesmo comparável à missão de 2026, jornada científica de 10 dias com astronautas profissionais para orbitaram a Lua, a mais de 400.000 km de distância, renovando alguns recordes do passado e executando dezenas de experimentos científicos que contribuirão para nosso futuro.
Dito tudo isso, achei uma coincidência curiosa que os heróis astronautas voltassem justamente no dia que as comissões dos Estados Unidos e do Irã se encontravam no Paquistão para tentar uma saída para a guerra. E olha que eu não sou nada ligada em teorias da conspirações ou coisas do gênero (mas entendo alguma coisa de marketing).
O que fica ressoando na minha cabeça é o discurso da astronauta Christina Koch. Ao ser perguntada, antes da viagem qual a diferença entre um "time" e uma "tripulação, ela não soube bem responder, mas voltou com a resposta afiada:
“uma tripulação é um grupo de pessoas que estão juntas em todos os momentos, não importa o quê; pessoas que se esforçam juntas a cada minuto com o mesmo propósito, dispostas a sacrificar-se silenciosamente umas pelas outras e que estão "inescapavelmente, lindamente e respeitosamente ligadas"
Ela fechou a sua fala dizendo que ainda não tinha aprendido tudo o que essa jornada tinha a ensiná-la, “mas há uma coisa nova que eu sei, e essa coisa é: Planeta Terra, vocês são uma tripulação." E aqui eu deixo a minha pequena contribuição: nações mundiais, países em guerra, vocês são uma tripulação. Usem o exemplo de Christina para preservar nosso meio ambiente, nossa população, nossa cultura e nossa economia.



