Eu sempre me considerei uma pessoa responsável. Fui uma criança responsável. Nunca quebrei um osso, sempre cumprimentei os adultos e meus boletins eram os melhores da escola.
Quando virei jovem adulta, afrouxei um pouco o cinto da responsabilidade. Cheguei em casa alguns dias com o sol nascendo e fiquei em prova final pela primeira vez na vida, na faculdade.
A vida te ajuda a amadurecer e calcular melhor os riscos. Quanto melhor o cálculo, mais certeira é a quase merda que, graças a Deus (e aos cálculos), deu certo.
Na vida profissional fiquei craque em assinar termos de responsabilidade. Primeiro com o suporte de um time jurídico que mais me prendia do que me deixava ousar e, depois, já marmanja e chefe, prendendo melhor os outros para não me dar mal.
Confesso, no entanto, que não lembro de alguma vez ter assinado um termo de responsabilidade ao fazer check-in em um hotel. Quando cheguei a Paraty e recebi um para assinar, considerei apenas rubricar o documento como uma mera formalidade.
Não sei por que cargas d’água resolvi ler antes de assinar. Digamos que foi curiosidade ou simplesmente um ato impensado depois de quatro horas de estrada.
O que importa é que li. Blá-blá-blá sobre não fumar nos quartos, horários de entrada e saída, formalidades do mundo hoteleiro… até que uma cláusula me fez parar.
Multa???
Essa me pegou. Parei para ler com atenção: cinco mil reais para quem fosse pego fazendo sexo na piscina. Nesse momento, deixo claro mais uma vez que estava num hotel, com H. Não começava com M (atire o primeiro comentário quem nunca teve ESSA experiência na piscina de um motel).
Choquei. Paraty era mais ousada do que eu imaginei.
Assinei o termo. E, por via das dúvidas, avisei à amiga que viajava comigo que ficasse longe da piscina.


