Não tem como refazer a história da minha família na Polônia sem passar por cemitérios e campos de concentração. Ontem fomos a um cemitério judaico anexado ao gueto de Varsóvia. Não sei de parentes que moraram por lá. Achei um passeio bonito. Cemitérios judaicos, assim como aquele onde está meu pai, no Rio de Janeiro, me dão uma sensação de paz.
Vir a Treblinka foi diferente. Um dos principais campos de extermínio nazistas, Treblinka II foi desmontado pelos próprios nazistas, que tentaram apagar os vestígios dos crimes cometidos ali. O lugar virou um espaço de lembrança coletiva. A documentação sobre as vítimas é incompleta, e a identidade de muitas das pessoas assassinadas jamais pôde ser recuperada.
Ao longo do lugar onde estavam as câmaras de gás, agora há milhares de pedras, como túmulos, com os nomes das cidades de onde judeus foram deportados para lá. Dentre elas, Łódź, a cidade dos meus avós. Espaço A26.
Andei por todos os túmulos, ziguezagueei entre as pedras, procurando essas 4 letras. Olhava ao longo do campo para meu primo, também procurando. A ansiedade foi se instalando: e se não encontrássemos?
Imaginei meus avós, em tempos de guerra, vagando entre cadáveres, à procura de um rosto conhecido. Não pude evitar as lágrimas.
Eu não encontrei a pedra que representa Łódź. Espero que meus avós também não tenham encontrado familiares nas valas comuns.


